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Erick

Erick Turow - As Gêmeas e o Persuasor


Capítulo 1 

Não passara muito tempo desde a final do campeonato interestadu­al do qual Erick apenas assistiu do banco de reservas dos jogadores do time de basquetebol St. Augustus.
Erick completara seus 21 anos de idade e conseguira o estágio, graças a seu pai, Jonas, que trabalha numa agência de publicidade e obtivera ali uma vaga para o filho. Era tudo muito fácil para Erick, muitos se surpreendiam com sua capacidade de dialogar sobre pro­blemas e suas soluções. Inclusive Jonas ficava impressionado com a evolução de Erick não só como um futuro profissional da área, mas também como pessoa, ou filho.
    (...)
    Estava feliz durante os três meses que passaram, pôde refletir sobre sua vida e o que poderia fazer para torná-la cada vez melhor. No trabalho era ele que liderava os estagiários e muitas vezes se sacrificava por seus colegas. Muitos o admiravam por isso, outros debochavam porque tinham que pegar leve nele por ser filho de um dos diretores criativos da empresa. . Erick sabia de tudo isso, esta­va tudo na cabeça deles, mas não agia diferente por causa disso. Mas tinha consciência de que era o elo e até, às vezes, líder deles e, por isso, se um falhasse era porque ele não o ajudou ou não deu as devidas coordenadas dos planos de trabalho para os estagiários.
    Mas por alguns momentos do dia, tentava saber o que real­mente estava escondido dentro dele. “Quem era aquela voz?”, pen­sava. Mas nem mesmo Deus sabia ao certo.

    — Temos que esperar ele se manifestar... – dizia em vários momentos.
    Mas também não se preocupara mais com a visão do homem que vira no jogo de basquete, havia inclusive se esquecido dele completamente ao que parece, não dando muita importância a isso. 

    Mas depois de um longo e agitado dia na agência numa quinta­-feira, finalmente podia ir para casa descansar. Seu pai iria ficar por mais algum tempo trabalhando, como era previsto quase todos os dias.
    Foi andando até sua casa, pois ainda não mudou em relação aos ônibus, já que achava, mais cansativo e estressante ir nesse meio de transporte do que andar durante cerca de quarenta minu­tos até sua casa. Apreciava andar ao anoitecer, ver sua cidade um tan­to mais sossegada. Gostava de ir pelos caminhos mais calmos, todo dia revezava por diferentes quadras até sua casa, dia sim, dia não, passava em frente à antiga loja de seu tio Oscar. Mas, seja qual fosse o caminho que fazia, tinha que atravessar a avenida que dava acesso a ela.
    Era o caminho que mais lhe trazia lembranças de suas recentes experiências, principalmente o acidente com o carro que sobrevoou por cima do de seu pai. Esforçava-se para não se lembrar disso, mas muitas vezes em vão.
    Logo há alguns metros da esquina de uma das quadras, logo depois do cruzamento, havia um bar. Não muito bem frequentado podia-se dizer, havia mulheres que vagavam em frente ao bar e algumas motos sempre em frente. Erick evitava passar por ali, nor­malmente sempre atravessava a rua, mas dessa vez quando perce­beu, já estava próximo a ele.
    Apesar de todo seu conhecimento adquirido, ainda se sentia frágil, evitava entrar em contato com certas pessoas, e ainda havia dentro de si, sua síndrome do pânico ainda não tão latente como antes, mas que se aflorava em situações incomuns.
    Olhou para a avenida, não havia modo e nem por que atra­vessá-la agora. Ao se aproximar, saíram dois homens, um deles era gordo, com a cabeça raspada e cavanhaque completado por sua barba “por fazer”, vestido com um casaco de couro surrado e jeans, segurando uma garrafa e andando com dificuldade em linha reta. O outro era magro, também careca, de jeans esfarrapado e uma camiseta colada preta.
    Alguma coisa, no homem magro, chamou a atenção de Erick; por isso não pôde deixar de fitá-lo. Ao olhar no rosto desse in­divíduo, rapidamente veio a imagem daquele homem na final do campeonato de basquete. O homem retribuiu com um olhar ainda mais assustador.
    “O que está olhando?”, veio ao ouvido de Erick o pensamento do tal homem.
     Erick se recompôs e continuou a andar com passos mais largos.
    Os dois homens trocaram algumas palavras e logo resolveram seguir Erick, que andava o mais rápido possível e logo estava mais à frente dos dois homens. Eles também apertaram os passos, mas não conseguiam conter o comentário, surpresos.
    — Olha como aquele cara anda!

    Seguido de outro do céu.
    — Eles estão atrás de você! – disse Deus.
    — Percebi. – pensando em olhar para trás, mesmo ouvindo o pensamento deles para não fazer isso.

    O acesso para a rua de sua casa ainda ficava a três quadras de onde estava, e não desistiu, ainda mais que conseguia fazer seu andar ser cada vez mais rápido.
    — Voando ia ser mais fácil! – disse Erick a Deus, sorrindo.
    Deus não respondeu. Ele havia proibido Erick de voar pela cidade e utilizar seus poderes em público, a não ser que fosse real­mente necessário. Além disso, estava em uma rua muito movimen­tada e não queria repetir a experiência de pessoas vendo que havia alguém capaz de voar. Coisa a que assistira na tevê durante uma semana depois do acontecimento no tal terraço do prédio.
    Erick fechou os olhos enquanto andava para tentar visualizar os dois homens sem que olhasse para trás. Mas não era uma tarefa fácil; quando começava a se concentrar, tropeçava, o que tirava totalmente sua atenção.
    — Eles ainda podem te ver. – Deus avisou mais uma vez.
    A sua rua começava onde o próprio acesso dava. Ainda faltava uma quadra para chegar a ele e os homens ainda corriam atrás de Erick, ficando cada vez mais próximos.
    Erick decidiu entrar em uma rua antes por instinto, pensou que assim estaria em uma rua mais calma e poderia usar alguns de seus poderes lá. Mas, ao adentrar um pouco mais nessa rua, viu que não ia ser possível. Era uma rua residencial como a sua, porém havia várias crianças brincando no meio dela, enquanto seus pais, principalmente mães, conversavam uns com os outros nos portões de suas casas.
    Seu equívoco lhe trouxe mais problemas, teria que voltar por onde vira. Mas já era tarde, pois, a essa altura, os dois homens já estariam muito próximos quando voltasse.
     Mas não tinha outra opção, teve que voltar.
    Ao chegar à esquina novamente seu coração palpitava forte­mente, pois ele pressentia a situação. Logo foi surpreendido.
    — Sou bonito, garoto? – disse o homem magro.
    O rosto do homem trazia fortemente a lembrança daquela vi­são do estádio. Erick não entendeu aquilo, e muito menos sabia o porquê, mas isso o intimidava. Manteve-se quieto.
    — É, ele gostou de você! – disse o gordo enrolando a língua ao falar.
    E acrescentou:
    — Qual é a sua? Vem na nossa área e fica encarando a gente?
    Erick sentiu-se acuado, mas continuou em silêncio; por dentro, seu nervosismo crescia, e não se sentia nada confortável com isso.
    — Qual é? Não vai falar nada não? – perguntou o gordo.
    O homem magro empurrou o ombro de Erick com um fraco soco. Ao encostar no jovem apareceu novamente a visão do rosto daquele homem, e queria saber a razão, mas nada nem ninguém poderiam dizer isso agora.
    — Achei que conhecia você de algum lugar. – disse finalmente.
    — Você o conhece? – perguntou o homem gordo ao seu parceiro.
    — Nunca vi na vida! – debochou, mas logo continuou. – Tal­vez “Natasha” o conheça!
    O homem magro colocou a mão direita no bolso e, quando tirou, percebeu-se um objeto metálico em volta de seu punho, um soco-inglês. Erick conseguiu perceber uma letra “N” no meio de cada entrada para os dedos.
    Ficou agora ficou preocupado, se não agisse, iria ficar grave­mente ferido e seria mais difícil explicar isso aos seus pais do que usar algum poder para sair dessa situação.
    Disse ao ouvido de um dos policiais que estava próximo ao local e precisava de ajuda. O policial estranhou a situação, mas acreditou que era algum instinto aflorando em sua mente, e de­cidiu segui-lo.
    O homem magro estava hesitando para bater em Erick, sentira que não era algo que queria fazer realmente, mas algo em sua ca­beça dizia: “Bate-o!”, a voz entrava em sua cabeça e ecoava dentro dela como um longo suspiro, privando-o de suas reais vontades.
    — Bata nele! – disse o gordo.
    O magro levantou sua mão.
    Mas logo foram percebidas algumas luzes vermelhas e azuis piscando próximas dali.
    Hesitou tentando fazer daquela situação a mais normal pos­sível escondendo seu soco-inglês no bolso. A viatura parou pró­xima de onde estava Erick e os dois indivíduos. Os dois homens olharam para trás.
    Erick, momentos antes, deu alguns passos para trás e correu como um vulto para a próxima quadra.
    Quando sentiram um leve vento passar por eles, olharam de volta e Erick não estava mais lá.
    Os homens foram enquadrados pela polícia, e depois liberados e seu soco-inglês apreendido. Perguntaram sobre a terceira pessoa que estava ali, mas acreditaram que era alguma ilusão de ótica, e os dois homens não responderam à pergunta.
    Erick parou e começou a andar normalmente quando chegou próximo a sua casa, vendo também que não havia ninguém por perto para presenciar o que acontecera. .
    Logo em sua mente veio a imagem novamente daquele indivi­duo, do ginásio de basquete, daquele dia.


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