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Disponível


Páginas: 156
Preço: 35,00

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Erick

Erick Turow e os Anjos da Vida e da Morte


Capítulo 1


        Suspensa pelo ar. À sua volta, dezenas de milhares de estrelas e o imenso infinito, um lugar calmo onde o ato de pensar não existe. Continuava a flutuar até chegar a uma nebulosa com nuvens em vários tons azuis celestes e estrelas luminescentes. Uma voz ecoa em sua mente, uma voz serena, porém forte, em seguida, uma luz dourada emanando raios ainda mais fortes – “Um filho irás ter, e sua dádiva será maior do que imaginas.” – a luz se dissipa.
        Acorda em sua cama, agitada, do lado seu marido dormindo. .Não consegue se lembrar de tudo, apenas da forte voz em sua mente – “Um filho irás ter...” – murmura:
        – Amor. Estou grávida... – disse Helen ao seu marido que despertou subitamente.
Desperto, mas ainda sonolento, pede à Helen para repetir o que disse.
        – Jonas... Vou ter um bebê! – diz sorrindo.
        Cerca de nove meses de tranquila gravidez, após todas as ultrassonografias que confirmaram um bebê saudável, Helen estava a caminho do Hospital Maternidade St. Augustus, para dar a luz ao seu bebê.
        Sentindo fortes dores por causa das contrações, Jonas seguia rapidamente com seu carro, não se importando com o limite de velocidade em certos trechos da cidade. Corria como se fosse a coisa mais importante do mundo. Depois de um longo trecho, ao se virar para o banco de trás, para ver como sua esposa estava, Helen atenta à avenida solta um grito alertando o marido, quando percebe um homem atravessando a rua e Jonas dá uma freada brusca.
        – Cuidado! – aponta Helen para o homem que atravessava a rua.
        O homem aparentemente bem vestido com um terno e gravatas negras e, sobretudo, com cerca de vinte e cinco anos de idade, porém com uma bengala em punho, barba meticulosamente aparada, com seus óculos redondos, sem dar um ar de espanto, fita o olhar aos dois.
        – Ele me dá arrepios. – suspira Helen.
        O homem continua sua trajetória, mas ao virar o rosto, o brilho de seus olhos aumenta, mostrando um brilho prateado.
        – Você viu? – indaga Helen – o brilho dos olhos dele... – breve pausa –... Eram prateados...
        – Não vi nada, deve ter sido algum farol que refletiu nos olhos dele. – concluiu Jonas.
        Seguiram novamente rumo ao hospital na mesma velocidade, porém, tentando redobrar a atenção.
        Chegando ao hospital, Jonas para o carro e pede ajuda. Logo, Helen é retirada do carro e levada de cadeira de rodas à sala de emergência.
        No corredor, já em uma maca a caminho da sala de emergência, um dos enfermeiros chama a atenção de Helen, atordoada pelas dores que sentia, viu um clarão em volta desse enfermeiro, e uma fraca visão do que seriam asas nas costas do enfermeiro.
        – Você vai ficar bem Helen, não se preocupe. – disse com um leve sorriso no rosto.
        Helen estava confusa, e as visões continuavam. Outras não eram ou pareciam tão boas quanto a que tivera anteriormente, alguns pacientes na sala de espera para serem atendidos, possuíam cargas negativas de energia e a fitavam atentamente, outros, porém, emanavam tranquilidade e harmonia, suas auras pareciam lutar umas contra as outras.
        Helen se agitava cada vez mais com essas visões e com suas contrações não conseguia manter a calma. Um dos médicos resolveu aplicar um anestésico para ela dormir.
        – Teremos que fazer cesariana. – disse o médico.
        Andando em um lugar, que parecia uma chácara, muito bem cuidada e decorada com jardins, uma passarela de pedras sobressalentes e em volta dela uma pequena mureta, na altura dos joelhos, se dirigindo a um lago próximo a ela, ao fazer a curva onde pedras solitárias faziam o caminho e a grama tão verde que pareciam fluorescentes. Parada na beira do lago, novamente surgiu a voz em sua mente – Escolhas bem o primeiro nome de teu filho... Terá que possuir apenas cinco letras...
        Helen acordou depois de três horas, assustada, perguntou sobre o bebê, que logo o médico ordenou à enfermeira que o trouxesse.
        Ao olhar o bebê, envolto de uma toalha azul clara, com os olhos fechados, movendo aleatoriamente a boca, seu pouco cabelos castanhos que pareciam estar grudados em sua cabeça. Calmo e tranquilo agora em seu colo, disse:
        – Erick Turow... Bem-vindo, querido. – beijou-o, mantendo-o perto de seu rosto.


   

Capítulo 2


Os anos foram se passando, Erick foi crescendo. Não era uma criança tranquila. Travesso com os amiguinhos, um tanto quanto briguento na escola, sempre era levado à diretoria e por isso, levava várias advertências, os pais eram sempre chamados pela professora, e por causa disso, era suspenso das aulas uma vez ou outra.
Apesar de tudo, era uma criança como todas as outras, carinhoso quando devia ser. Inteligente, tirava boas notas na escola, era um dos primeiros da turma, só não era o primeiro por preguiça, por muitas vezes. O que ele gostava mesmo era do recreio, onde podia correr e brincar pra lá e pra cá.
Na casa de amigos, Helen ficava louca quanto ao comportamento do filho certas horas, não sabia como se desculpar por ele para as colegas, quando o levava a casa delas.
   

     Mas os anos continuaram passando, e em sua adolescência, transformou-se no oposto que era na infância. Fechado, não conversava muito, pois não sabia contar relatos sobre o que acontecera em sua vida, pensava que eram fúteis as conversas desse gênero, mas para os outros era o que fazia deles o centro das atenções, tinha poucos amigos, gostava de namorar, mas depois de um tempo, ficara difícil se envolver com garotas, então ficara de tempos em tempos sem namorar, mas acontecia uma vez ou outra.
     Mas no fundo, sentia falta desse convívio social, mas acabou sabendo viver sem isso. Mesmo na escola, ficava em seu canto, um ou outro colega chegava para conversar, mas ele não sentia vontade de se juntar a uma turminha e passar os intervalos conversando sobre coisas que achavam irrelevantes para a vida dele. O que de certo modo foi um erro.


     Chegando à idade adulta, com seus vinte anos, quando saía de casa, ele se sentia como se algumas pessoas falassem, comentavam ou olhavam para ele, ele achava que estava ouvindo muito bem, e não dava muita atenção a isso, mas isso conforme alguns dias foram passando, se transformou em uma síndrome do pânico e acabou deixando de lado as poucas vezes que saía, só frequentava a casa de uns amigos que tinham bastantes coisas em comum, mas com o tempo deixara de ir lá, também.
    Ficava sozinho em casa, o trabalho que tinha, já havia largado, trabalhava em um escritório como Office-Boy. Seus pais trabalhavam fora, e não faziam à menor ideia do que acontecia com Erick.
      Acabou desenvolvendo uma depressão com o tempo, e já não sabia o que fazer, agora o que ouvia, era de dentro de casa e já não se limitava quando estava fora dela. Sentado em sua poltrona na sala, ouvira um voz feminina de um ponto do céu:
     – Estamos contando com você!
    Houve um despertar por parte de Erick, mas mesmo assim, não entendia do que se tratava, e porque o escolheram para falar isso. Acabou ficando ainda mais confuso, mas deixara de lado a depressão aos poucos.
   Resolveu voltar a sair, mas ainda sequelas de seu problema ainda o atrapalhavam, quando saía à noite sentia um nervoso no peito, mas isso não o impedia. As vozes acabaram ficando mais fortes, mas não se preocupava, ouvia coisas a respeito dele, e só, até garotas que pareciam querer conhecê-lo e acabou percebendo que parecia que ouvia os pensamentos das pessoas. O que de fato era verdade, e não que estava com o ouvido mais aprimorado, e sim, a mente.
     Isso já não o incomodava mais, acabou convivendo com isso, e a cada dia que passava, acabara ficando mais constante, muitas vezes, pensava que estava incomodando as pessoas ao seu redor, como quando voltou a ir à casa de seus amigos, e que ia embora quando ouvia algo que parecia que os perturbavam referente a ele.
     Mas todos os dias, ele voltava. Gostava da companhia de seus amigos, e parecia que eles sabiam desse dom que ele desenvolvera, depois de uma bebida ou outra, sentados em frente à tevê, Erick parecia que era uma pessoa presa, se contorcia com os braços e pernas cruzadas, e fazia movimentos estranhos com as mãos se cruzando, sentado em uma poltrona.
    Até que ao perceberem isso, deram uma pequena crítica em relação a esse comportamento, apenas disseram:
    – Experimente ficar com as pernas e braços descruzados, você parece muito preso, Erick. – disse um dos amigos.
   Erick não deu ouvidos na hora, mas conforme os dias foram se passando, ele se lembrava dessa sugestão e descruzava-se contra sua vontade e controle.
     Até então tudo bem.


    Depois de alguns dias, certa noite, durante suas insônias, em que ficava virando e se revirando em sua cama. Sentiu que seu quarto foi tomado por uma luz branda, mas constante. E uma voz, agora masculina e forte, quase como um trovão, consumia seu quarto:
     – Tens alguma dúvida? – perguntou.
     Erick não sabia o que perguntar, nem vinha à mente nenhuma dúvida que tinha. Acabou perguntando algo irrelevante, que não fora respondido, apenas seguido de um desapontamento na voz.
     A voz se limitou a uma voz longínqua e mais fraca vinda do céu, como uma voz normal, resmungando sobre o garoto que não sabia o que perguntar. E outra voz, surpreendida que ele houvesse ouvido o resmungo dessa pessoa.


      No fim de semana seguinte, na sexta, estava novamente na casa de seus amigos, levou uma garrafa de vinho, agora já se sentia um tanto diferente, descruzado, mais solto, porém, algo parecia que crescia dentro dele. Seu amigo o fitava, Erick ouvia alguns pensamentos dele, mas não sabia como responder – Se ele soubesse responder... – pensou o amigo.
     Até que então, percebeu que não pensava com as palavras, e tentou aprender a fazer isso, mal sabia que isso acarretaria em vários problemas.
     Após alguns copos de vinho, Erick começou a sentir uma forte energia dentro dele que emanava para todo lugar, como se uma luz amarelada envolvesse toda a sala. Quando foi falar algo, normalmente mal falava com os outros, mas era um ótimo ouvinte, sua voz parecia que ecoava até para fora da casa deles. Sentiu uma pequena surpresa por meio deles, mas pareciam discretos em relação a isso. Falou bastante, como se nunca tivesse falado antes.


     Já em sua casa, um tanto bêbado, foi para sua cama. Pelo estado que estava, achava que iria desmaiar.
     Porém a ociosidade, após algum tempo deitado, fazia aquela energia crescer e se expandir para todos os cantos do planeta. O “Fogo do Céu” fora liberado. A noite foi longa, não queria fazer mais nada além de dormir, então não saiu da cama, pensando que aquilo iria passar, mas nada.
     Uma hora, duas, três horas foram se passando, e continuava a emanar aquela energia, pensou em toda sua vida durante aqueles momentos, nas pessoas que o fizeram mal, nas pessoas que gostava, toda sua vida fora resumida em uma noite.
     Porém, após um longo tempo, a comunicação entre o céu e Erick fora aumentada. Ele já tinha várias dúvidas, uma delas seria: “Quem eu sou?”, e fora respondido: “Você é um Filho de Deus.”.
      – O que é essa energia? – perguntava através de seu pensamento.
     – Esse é seu papel como Filho de Deus, no seu “Ponto de Força”, que é o seu quarto, com a energia que está emanando, todas as pessoas más morrerão, o “Fogo do Céu”. – respondeu uma voz masculina, a mesma que ouvira no seu quarto, outra noite.
     – Mas quem são vocês?
     – Eu sou Deus, você é meu filho.
     Quando amanheceu o dia, a energia parou, e Erick finalmente pôde dormir.


     Quando saiu pela manhã, ainda com seu pai terrestre, parecia que o dia, era ainda mais luminoso como antes nunca havia reparado, percebia nas pessoas que uma grande tormenta havia passado. Sentiu-se alegre, apesar da noite mal dormida. Reparava nos rostos das pessoas, pareciam que todos não haviam dormido bem essa noite.
     O dia se passou e foi beber novamente na casa de seus amigos. Um ouvinte como sempre, entre um copo e outro de vinho doce, não comentou nada sobre o que havia acontecido outrora, apenas continuou o que fazia normalmente.
     – Ele precisará dos apóstolos! – Deus pensou.
     Erick ouvira, mas não sabia do que se tratava e não deu importância.
Mais uma vez, entre um copo e outro, logo estava bêbado novamente. De repente, sentiu um mal-estar que nunca havia sentido em sua cabeça e se encolheu por causa disso.
    Erick sentia seu cérebro esquentar e suas veias saltarem. Não conseguia pensar em mais nada.
Já com a comunicação aberta entre esse mundo e o outro ouviu:
     – Ele não vai aguentar... – disse seu pai.
Sentiu medo, que poderia morrer ali, uma coisa dessas não era normal pra ele, continuou durante um breve momento, até que conseguiu parar, e assim ouviu:
     – Ele sobreviveu... É um “Ser Perfeito!”.
     – Não com 100% do cérebro. – outra voz completou.
   – Acabou. 25% do cérebro. É um “Ser Perfeito”! Mais poderoso que todos aqui. – continuou. – Ele não precisou dos apóstolos! – ainda surpreso. – Foi a transformação mais rápida que já vi... Com os meus filhos!


      Porém não acabara ali, aquela energia que emanava acabara ficando mais forte ainda, mas Erick já conseguia direcioná-la para onde queria, já que quando ia para seus amigos, via que eles sentiam certo desconforto. Mandou-a para trás dele, porém não conseguia parar com aquilo.
    – Fique em posição de “reza” – disse seu pai.
     Erick não sabia o que era a posição de reza, se imaginava ajoelhado e com as palmas das mãos juntas, tudo menos o que era pra ser feito realmente.
     – Cruze os dedos! – disse seu pai.
Até que aproximou uma mão à outra e cruzou seus dedos. A energia se dissipara.
     – Agora você se tornou um Deus menor! – disse seu pai.
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